Policial
Capim grosso - BA: Cadela Suzy é morta a tiros e revolta comunidade
O caso ocorreu na região do Km 11, quando a cadela teria escapado pelo portão da chácara onde vivia e, pouco depois, foi atingida por tiros.
O caso ocorreu na região do Km 11, quando a cadela teria escapado pelo portão da chácara onde vivia e, pouco depois, foi atingida por tiros disparados por um homem que estaria nas proximidades, utilizando uma espingarda do tipo cartucheira. A Polícia Militar foi acionada, apreendeu a arma e localizou, na propriedade vizinha, indícios que reforçam a gravidade do ocorrido, incluindo a manutenção irregular de aves silvestres em cativeiro. O suspeito, no entanto, segue foragido.
Imagens de câmeras de segurança registraram o momento exato em que o animal é alvejado. O vídeo, que circula com cautela entre investigadores, não apenas comprova o crime, mas expõe algo ainda mais perturbador: a frieza de um ato praticado contra um ser indefeso, que não oferecia ameaça alguma.
A morte da cadela Suzy, em Capim Grosso, não é apenas mais um registro policial. É um retrato doloroso de até onde pode chegar a banalização da crueldade, especialmente quando a vítima não tem voz para se defender.
Suzy era parte da família de Priscila e Cadmil. Dócil, presente na rotina da casa, companheira inseparável dos filhos, ela ocupava o lugar que tantos animais ocupam hoje: o de afeto, cuidado e pertencimento. Sua morte, rompeu não apenas o silêncio de uma manhã comum, mas também a sensação de segurança de toda uma comunidade.
A partir da denúncia, equipes da 91ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM) se dirigiram a uma propriedade vizinha, onde o suspeito atuaria como caseiro. No local, os policiais localizaram outro funcionário da fazenda, que confirmou a autoria dos disparos e entregou, de forma voluntária, a arma utilizada no crime.

Quando a violência escolhe os mais indefesos
A comoção em Capim Grosso ecoa porque Suzy não é um caso isolado. Sua história inevitavelmente remete ao emblemático episódio do cãozinho Orelha, que tornou-se símbolo nacional da luta contra os maus-tratos a animais. Assim como Orelha, Suzy passa a representar milhares de outros animais vitimados pela violência cotidiana, muitas vezes silenciada, muitas vezes relativizada.
A dor expressa por Priscila em seu apelo por justiça não é apenas de uma tutora que perdeu sua cadela. É a dor de uma mãe que viu os filhos perderem uma companhia, é a dor de quem entende que a violência, quando tolerada em qualquer forma, tende a se repetir e a se ampliar.
A legislação brasileira é clara ao tipificar maus-tratos contra animais como crime. O que a sociedade cobra, mais uma vez, é que a lei deixe de ser apenas texto e se transforme em resposta concreta. Punição rigorosa, investigação célere e responsabilização efetiva não são pedidos extremos: são o mínimo esperado em um Estado que se diz civilizado.
A morte de Suzy não pode ser apenas mais uma manchete que se perde com o passar dos dias. Ela precisa permanecer como incômodo, como pergunta aberta, como espelho. Porque a forma como uma sociedade trata seus animais diz muito sobre como ela lida com a vida — em todas as suas formas.
Enquanto a justiça não chega, Capim Grosso chora Suzy. E, ao chorar, reafirma que a indiferença não pode ser o destino desses casos. Que a memória dela, assim como a de Orelha, sirva não apenas para lembrar, mas para mudar.















