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Agricultura familiar terá R$ 60 milhões do BNDES para produção de bioinsumos

Publicado dia 02/09/2025 às 11h40min
Banco também vai investir R$ 100 milhões na restauração de biomas como Cerrado, Caatinga, Pantanal, Pampa e Mata Atlântica

Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vai destinar R$ 60 milhões em recursos não reembolsáveis para cooperativas da agricultura familiar, por meio do programa BNDES Bioinsumos.

O objetivo é ampliar a produção e a “multiplicação de bioinsumos acessíveis e replicáveis”, fortalecendo a oferta de alimentos saudáveis e de baixo impacto ambiental.

Feitos a partir de microrganismos, resíduos vegetais e orgânicos, os bioinsumos têm papel estratégico na fertilização do solo e no combate a pragas, além de promover o desenvolvimento de sistemas agrícolas, animais, aquícolas e florestais.

A iniciativa, que conta com apoio técnico da Embrapa, pretende incentivar a criação de unidades industriais ou semi-industriais para produção desses insumos, integrando-os aos agroecossistemas da agricultura familiar.

Segundo o BNDES, a chamada pública dará prioridade às regiões Norte e Nordeste.

“Além de contribuir com o aumento da produção de alimentos saudáveis, garantindo a segurança e soberania alimentar e nutricional, essa iniciativa fortalece a geração de renda de cooperativas da agricultura familiar, ao ampliar o acesso aos bioinsumos, com menores custos e maior produtividade”, afirmou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.

O que são bioinsumos

Os bioinsumos incluem microrganismos, extratos vegetais, enzimas e até insetos utilizados no controle biológico.

O programa do BNDES apoiará diferentes categorias, como inoculantes, bioestimulantes, biofertilizantes a partir de biomassa vegetal e resíduos orgânicos compostados, além de microrganismos e insetos para controle de pragas. 

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BNDES terá R$ 100 milhões para restauração de biomas

Além do apoio à agricultura familiar, o BNDES anunciou a segunda fase da iniciativa Floresta Viva, voltada à restauração ecológica e ao fortalecimento de comunidades.

O aporte inicial será de R$ 100 milhões do Fundo Socioambiental do Banco, com possibilidade de chegar a R$ 250 milhões a partir da adesão de parceiros privados e públicos.

O programa vai financiar projetos de restauração com espécies nativas e sistemas agroflorestais (SAFs) em biomas que historicamente recebem menos atenção do que a Amazônia: Cerrado, Caatinga, Pantanal, Pampa e Mata Atlântica.

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Prioridade para biomas fora da Amazônia

“O foco nos biomas fora da Amazônia se deve ao fato de que esta já recebe grande volume de recursos, como os do Fundo Amazônia. Achamos importante dedicar esses R$ 100 milhões a outros biomas — alguns deles proporcionalmente mais devastados do que a própria Amazônia”, destacou a diretora socioambiental do BNDES, Tereza Campello.

O presidente do ICMBio, Mauro Pires, acrescentou que o modelo pode atrair financiadores internacionais.

“Ter o BNDES pensando nesse tipo de arranjo pode indicar para outros países que é fundamental investir na conservação, mas uma conservação que inclua também as pessoas e que traga qualidade de vida”, afirmou.

Para o diretor de Florestas do Ministério do Meio Ambiente, Thiago Belote, a iniciativa vai além da restauração ambiental. “A gente está falando aqui de segurança e soberania alimentar”, disse.

Seleção de projetos

O edital para escolha do parceiro gestor já está disponível no site do BNDES, e o resultado será divulgado durante a COP30, em novembro. A instituição selecionada terá a responsabilidade de acompanhar os projetos, capacitar organizações sociais e fortalecer comunidades. O contrato será de até seis anos, com possibilidade de prorrogação. 

Impactos e resultados esperados

Entre os benefícios previstos estão recuperação de nascentes, melhoria da qualidade da água, geração de renda e fortalecimento de organizações locais. Diferentemente da primeira fase, o Floresta Viva 2 terá ciclos sucessivos de seleção para acelerar a execução dos projetos.

Na primeira etapa, o programa mobilizou R$ 460 milhões e apoiou mais de 60 iniciativas, cobrindo 8.500 hectares em recuperação. A experiência rendeu ao BNDES o Prêmio Alide 2024, pela capacidade de reunir parceiros e dar escala à restauração ecológica.

 

Fonte: CAra da WEB via Agrofynews