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Agroecologia ganha força no Extremo Sul da Bahia

Publicado dia 01/07/2026 às 09h10min
Agroecologia ganha força no Extremo Sul da Bahia

Produção de alimentos saudáveis, preservação ambiental e fortalecimento da agricultura familiar colocam a agroecologia entre os principais temas do desenvolvimento rural brasileiro. No Extremo Sul da Bahia, o trabalho desenvolvido pelo Núcleo de Estudos em Agroecologia e Produção Orgânica do Extremo Sul da Bahia (NEA Extremo Sul da Bahia) reúne universidades, instituições de ensino, movimentos sociais e agricultores em torno de um objetivo comum: construir um futuro mais sustentável para o campo.

Quando se fala em agroecologia, muitas pessoas pensam apenas na produção de alimentos sem agrotóxicos. Na prática, porém, o conceito é muito mais amplo.

A agroecologia propõe uma forma de produzir alimentos que respeita os ciclos da natureza, valoriza os conhecimentos tradicionais, fortalece a agricultura familiar, preserva a biodiversidade e busca conciliar desenvolvimento econômico, justiça social e conservação ambiental. Trata-se de uma abordagem reconhecida internacionalmente como uma alternativa para enfrentar desafios como as mudanças climáticas, a degradação do solo e a segurança alimentar.

O Brasil como referência em agroecologia

Nas últimas décadas, o Brasil ampliou significativamente as ações voltadas à pesquisa, ensino e extensão em agroecologia. Diversas universidades, institutos federais e centros de pesquisa passaram a desenvolver projetos que aproximam a ciência dos conhecimentos construídos pelas comunidades rurais.

Nesse contexto, os Núcleos de Estudos em Agroecologia e Produção Orgânica (NEAs), fomentados por políticas públicas, tornaram-se espaços estratégicos para integrar ensino, pesquisa e extensão, promovendo inovação e desenvolvimento sustentável nos territórios rurais.

O protagonismo do Extremo Sul da Bahia

No Extremo Sul baiano, esse movimento ganhou força por meio do Núcleo de Estudos em Agroecologia e Produção Orgânica do Extremo Sul da Bahia (NEA Extremo Sul da Bahia).

Criado entre 2015 e 2017, o núcleo reúne instituições como o IF Baiano, a UFSB, a UNEB, a Escola Popular de Agroecologia e Agrofloresta Egídio Brunetto (EPAAEB), além de representantes do CODETER e organizações ligadas à agricultura familiar. O objetivo é construir soluções coletivas voltadas à transição agroecológica, ao fortalecimento das feiras regionais, à qualificação dos circuitos de comercialização da agricultura familiar e à valorização dos povos e comunidades tradicionais.

Ciência, extensão e transformação social

Mais do que desenvolver pesquisas acadêmicas, o NEA Extremo Sul busca aproximar universidades, institutos de pesquisa, agricultores, estudantes e comunidades tradicionais.

Essa integração permite que conhecimentos científicos dialoguem com práticas construídas ao longo de gerações por agricultores familiares, indígenas, quilombolas e assentados da reforma agrária, fortalecendo sistemas produtivos mais resilientes e adaptados às características da Mata Atlântica.

As ações incluem atividades de formação, intercâmbio de experiências, sistematização de práticas agroecológicas e fortalecimento das redes de cooperação entre instituições públicas e organizações sociais.

Um território de oportunidades

O Extremo Sul da Bahia possui grande diversidade ambiental, cultural e produtiva. Ao mesmo tempo em que abriga importantes cadeias do agronegócio, também concentra milhares de agricultores familiares responsáveis por parcela significativa da produção de alimentos consumidos na região.

Nesse cenário, iniciativas voltadas à agroecologia representam oportunidades para ampliar a sustentabilidade da produção, agregar valor aos produtos da agricultura familiar, incentivar mercados locais e fortalecer a permanência das famílias no campo.

Construindo o futuro

À medida que cresce a preocupação mundial com a segurança alimentar, as mudanças climáticas e a conservação dos recursos naturais, experiências como a do NEA Extremo Sul demonstram que a construção de modelos agrícolas mais sustentáveis depende da união entre conhecimento científico, políticas públicas e participação das comunidades.

O fortalecimento da agroecologia no Extremo Sul da Bahia representa não apenas um avanço para a agricultura regional, mas também um investimento em qualidade de vida, conservação ambiental e desenvolvimento territorial.

Fonte: UFSB/ IF baiano/ CNPq/ institutoninarosa.org.br/