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Arthur Lira decide enterrar de vez a proposta de voto impresso

O sinal amarelo continua aceso, ele disse. Se Bolsonaro não se emendar, o presidente da Câmara acenderá o sinal vermelho

Ninguém conseguirá impedir o presidente Jair Bolsonaro de ficar rouco de tanto repetir que o voto impresso é mais honesto e que o voto eletrônico é permeável a fraudes.

 

Mas Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara, decidiu que embora derrotado duas vezes em menos de 24 horas em comissão especial, o voto impresso será submetido a exame do plenário.

Para Bolsonaro, o melhor seria continuar dizendo que uma de suas principais bandeiras de campanha ficou pelo caminho graças à incompreensão de um grupo de deputados da comissão.

Se ali tivesse sido aprovada, certamente também o seria em seguida pelo plenário. Lira sabe que pelo plenário não será, e que se fosse aprovada, o Senado a rejeitaria por larga maioria de votos.

Sua decisão de forçar o plenário a votar o voto impresso só tem um objetivo: enterrá-lo de uma vez. E enfraquecer o discurso solitário de Bolsonaro e dos radicais que o cercam – entre eles, os militares.

Lira acrescentou ao anunciar sua decisão: não contem com ele para uma tentativa de ruptura institucional. É a favor do respeito à Constituição. E lembrou que o sinal amarelo continua aceso.

Por sinal amarelo, quis dizer: depende dele, unicamente dele, aceitar qualquer um dos mais de 100 pedidos de impeachment contra Bolsonaro que se acumulam na Câmara.

O sinal amarelo acendeu quando Bolsonaro afirmou que sem voto impresso não haverá eleições no ano que vem e Lira e outros líderes políticos reagiram de imediato.

É o dedo de Lira que mantém o sinal amarelo aceso. A depender do comportamento de Bolsonaro doravante, ele poderá pressionar o próximo sinal, o vermelho, e aí seja o que Deus quiser.

Dito de outra maneira: aí seja o que a maioria dos deputados queira. Se 342 dos 513 deputados votarem a favor da abertura do processo de impeachment, ele será aberto.

Nem mesmo Lira, aliado de Bolsonaro, está incondicionalmente ao lado dele. Há limites para tudo, e o presidente ou entende isso ou ficará sozinho. O isolamento de Bolsonaro só faz crescer.

 

 

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