Música
Dia Internacional da Música celebra a arte que atravessa fronteiras.
Dia Internacional da Música completa 51 anos em 2026 e reforça o papel da expressão musical na cultura, na identidade, no diálogo entre os povos e na preservação das memórias coletivas
Nesta quinta-feira, 1º de outubro, o mundo celebra o Dia Internacional da Música, uma data dedicada a uma das mais universais formas de expressão humana. Presente em celebrações, rituais, encontros familiares, manifestações populares, ambientes religiosos, palcos, escolas e na vida cotidiana, a música atravessa fronteiras geográficas e linguísticas e ajuda sociedades a contar suas próprias histórias.
A celebração internacional teve início em 1º de outubro de 1975, por iniciativa do Conselho Internacional da Música — International Music Council (IMC). A criação decorreu de uma resolução aprovada durante a 15ª Assembleia Geral da entidade, realizada em Lausanne, na Suíça, em 1973. A iniciativa foi conduzida pelo então presidente da organização, o consagrado violinista e maestro Yehudi Menuhin. Conselho Internacional de Música
Desde sua origem, a proposta ultrapassava a simples comemoração da atividade artística. Entre os objetivos estabelecidos estavam ampliar o acesso da sociedade à música, estimular o intercâmbio cultural e utilizar a expressão musical como instrumento de aproximação, amizade e compreensão entre os povos, em consonância com os ideais defendidos pela UNESCO. Conselho Internacional de Música
A música possui uma característica singular: ao mesmo tempo em que representa uma criação artística, também funciona como um poderoso registro da experiência humana.
Canções podem guardar acontecimentos, sotaques, modos de vida, religiosidades, histórias familiares e memórias coletivas. Ritmos e instrumentos atravessam gerações e, muitas vezes, contam a história de comunidades antes mesmo que ela apareça nos livros.
A UNESCO destaca a música como uma das manifestações mais universais das artes performáticas, presente nas mais diversas sociedades e frequentemente relacionada a rituais, festividades, tradições orais e outras formas de patrimônio cultural imaterial. Patrimônio Imaterial
No Brasil, essa diversidade assume dimensões particulares. A própria UNESCO reconhece a riqueza das expressões culturais brasileiras e chama atenção para a importância da preservação das tradições, das artes, das manifestações populares, indígenas e das contribuições africanas para a formação cultural do país. UNESCO
Falar de música no Brasil também significa olhar para a Bahia, território cuja produção cultural exerceu e continua exercendo enorme influência sobre diferentes manifestações musicais brasileiras.
Um dos exemplos mais emblemáticos é o Samba de Roda do Recôncavo Baiano, manifestação que reúne música, dança e poesia e foi inscrita, em 2008, na Lista Representativa do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade da UNESCO, depois de ter sido proclamada obra-prima do patrimônio oral e imaterial em 2005. Patrimônio Imaterial
A própria UNESCO registra que o Samba de Roda se desenvolveu no Recôncavo da Bahia, incorporando fortemente tradições culturais africanas e também elementos portugueses. Levado posteriormente por migrantes baianos ao Rio de Janeiro, contribuiu para a formação do samba urbano que se tornaria um dos grandes símbolos culturais brasileiros. Patrimônio Imaterial
Essa trajetória demonstra como a música se movimenta. Ela nasce em territórios específicos, atravessa cidades e gerações, transforma-se, incorpora novas experiências e, ao mesmo tempo, mantém vivas referências ancestrais.
Do samba ao forró, dos tambores às cordas, dos cantos tradicionais às produções contemporâneas, a pluralidade sonora brasileira revela um país cuja identidade não pode ser compreendida sem a música.
A música também constitui uma ampla cadeia de trabalho.
Compositores, intérpretes, instrumentistas, produtores, técnicos, profissionais de áudio, professores, pesquisadores, arranjadores e diversos outros trabalhadores integram um setor que envolve criação, performance, gravação e distribuição.
A UNESCO destaca que o setor musical articula tradição e inovação, fortalece identidades culturais, favorece o diálogo entre comunidades e também participa da economia criativa. UNESCO
Celebrar a música significa, portanto, reconhecer também aqueles que fazem dela profissão.
O Conselho Internacional da Música sintetiza essa preocupação por meio dos chamados Cinco Direitos da Música, que defendem, entre outros princípios, o direito de crianças e adultos à expressão musical, à aprendizagem e ao acesso à música, além do direito dos artistas ao desenvolvimento de sua atividade, à comunicação de sua arte e ao reconhecimento e remuneração justos por seu trabalho. Conselho Internacional de Música
Em uma sociedade marcada por transformações tecnológicas aceleradas, a maneira de produzir, distribuir e consumir música mudou profundamente. Plataformas digitais aproximaram artistas e públicos e multiplicaram possibilidades de circulação de obras, ao mesmo tempo em que trouxeram novos debates sobre remuneração, direitos autorais, diversidade cultural e sustentabilidade da atividade artística.
Mas existe algo que a tecnologia não modificou: a capacidade da música de produzir encontros.
Uma melodia pode despertar uma lembrança. Uma canção pode representar uma geração. Um ritmo pode identificar uma comunidade. Um instrumento pode carregar séculos de tradição. E uma apresentação musical pode reunir, num mesmo espaço, pessoas que talvez pouco tenham em comum além da experiência daquele instante.
É justamente essa capacidade de atravessar diferenças que estava presente na proposta original do Dia Internacional da Música, em 1975: utilizar a arte não apenas como entretenimento, mas como instrumento de conhecimento, intercâmbio e aproximação entre os povos. Conselho Internacional de Música
Mais de cinco décadas depois da primeira celebração, o Dia Internacional da Música permanece atual.
A data é uma oportunidade para ouvir artistas, conhecer novas expressões, valorizar músicos locais, reconhecer mestres da cultura popular, estimular a educação musical e preservar manifestações que carregam a memória das comunidades.
Porque onde existe música existe também história, identidade, trabalho, criatividade e pertencimento.
E talvez esteja aí uma de suas maiores forças: mesmo quando as palavras não são suficientes, a música continua encontrando maneiras de comunicar aquilo que uma sociedade sente, lembra e deseja transmitir às próximas gerações.
Página:
https://caradaweb.com/noticia/msica/2026/10/01/dia-internacional-da-msica-celebra-a-arte-que-atravessa-fronteiras/4419.html