Educação
Dia Internacional das Línguas de Sinais reforça comunicação, inclusão e cidadania.
Celebrado nesta quarta-feira (23), o dia chamou atenção para os direitos humanos das pessoas surdas e para a importância das línguas de sinais na educação, no acesso aos serviços públicos e na participação plena na sociedade.
Nesta quarta-feira, 23 de setembro, o mundo celebrou o Dia Internacional das Línguas de Sinais, uma data que vai muito além de homenagear uma forma de comunicação. A mobilização internacional chama atenção para um princípio fundamental: ter acesso à própria língua também é ter acesso a direitos, conhecimento, autonomia e cidadania.
Instituído pela Assembleia Geral das Nações Unidas, o Dia Internacional das Línguas de Sinais é celebrado anualmente em 23 de setembro. A escolha da data faz referência à criação, em 1951, da Federação Mundial de Surdos (WFD), uma das principais organizações internacionais de defesa dos direitos das comunidades surdas. A primeira celebração oficial ocorreu em 2018.
Em 2026, a mobilização internacional tem como tema “Declaring Deaf People’s Human Rights” — “Declarando os direitos humanos das pessoas surdas”, reforçando a necessidade de transformar garantias legais em direitos efetivamente acessíveis no cotidiano.
Língua de sinais é língua
Um dos aspectos centrais da data é combater a ideia de que as línguas de sinais seriam apenas conjuntos de gestos ou adaptações das línguas faladas.
Elas são línguas naturais completas, com estrutura gramatical própria e características linguísticas específicas. Segundo as Nações Unidas, mais de 70 milhões de pessoas surdas vivem no mundo, mais de 80% delas em países em desenvolvimento, utilizando coletivamente mais de 300 línguas de sinais diferentes.
Isso significa também reconhecer a diversidade das comunidades surdas. Não existe uma única língua de sinais universal. Cada país, região ou comunidade pode desenvolver seus próprios sistemas linguísticos e culturais.
É pela língua que histórias são contadas, conhecimentos são transmitidos, relações são construídas e identidades são preservadas.
No Brasil, Libras é direito reconhecido em lei
No Brasil, um marco fundamental ocorreu com a Lei nº 10.436, de 24 de abril de 2002, que reconheceu oficialmente a Língua Brasileira de Sinais (Libras) como meio legal de comunicação e expressão. A legislação também determinou que o poder público apoie seu uso e sua difusão.
Posteriormente, o Decreto nº 5.626/2005 regulamentou a lei e estabeleceu uma série de medidas relacionadas ao ensino, à formação de profissionais, à educação e ao atendimento às pessoas surdas. Entre outras disposições, a norma prevê a inserção de Libras na formação de professores e estabelece responsabilidades do poder público na promoção do acesso à comunicação.
Mais de duas décadas depois do reconhecimento legal, entretanto, o desafio permanece: fazer com que a inclusão prevista nos documentos esteja presente de maneira efetiva nas escolas, universidades, serviços de saúde, órgãos públicos, espaços culturais, meios de comunicação e demais ambientes da sociedade.
Inclusão não pode acontecer somente em datas comemorativas
Ter um intérprete de Libras em um evento, oferecer conteúdos acessíveis ou disponibilizar atendimento adequado não deve ser encarado como favor ou ação excepcional.
Para milhares de pessoas, trata-se simplesmente de ter condições de compreender e ser compreendido.
A própria Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência reconhece as línguas de sinais e estabelece a necessidade de promover sua utilização e a identidade linguística das comunidades surdas. A ONU destaca que o acesso precoce à língua de sinais e a uma educação de qualidade nessa língua é fundamental para o desenvolvimento e para a participação plena das pessoas surdas na sociedade.
Em 2026, a data também carrega um simbolismo especial: são celebrados os 75 anos da Federação Mundial de Surdos e os 20 anos da adoção da Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência.
Quando a comunicação encontra barreiras, direitos também encontram
Imagine precisar de atendimento médico e não conseguir explicar com precisão o que está sentindo. Procurar um serviço público e não encontrar alguém capaz de estabelecer comunicação. Frequentar uma sala de aula sem acesso adequado ao conteúdo. Assistir a uma informação importante sem tradução ou recursos de acessibilidade.
Por isso, discutir língua de sinais não é somente discutir comunicação.
É falar de educação, saúde, trabalho, informação, cultura, participação social e dignidade.
A celebração do dia 23 de setembro deixa, portanto, um convite que precisa permanecer durante todo o ano: ampliar espaços acessíveis, formar profissionais, estimular o aprendizado de Libras e, sobretudo, ouvir as próprias comunidades surdas na construção das políticas e iniciativas que lhes dizem respeito.
Porque inclusão verdadeira começa quando ninguém precisa lutar simplesmente para ser compreendido.
E quando as mãos encontram espaço para falar, toda a sociedade precisa aprender a ouvir.
Página:
https://caradaweb.com/noticia/educao/2026/09/24/dia-internacional-das-lnguas-de-sinais-refora-comunicao-incluso-e-cidadania/4416.html